E para falar de mãe estou aqui.
Não tem como passar o dia de hoje sem me lembrar dela. Com ela aprendi a devoção à Nossa Senhora Aparecida. Ela por sua vez aprendeu com sua mãe, minha vó Maria, vó Inha como a chamávamos.
Revendo as fotos antigas da família encontramos as fotos anuais tiradas nas visitas ao Santuário. As fotos são parecidas, se repetem até na formação para a pose: a igreja ao fundo e a família organizada a espera do clique.
As fotos são o registro da fé que os fazia trabalhar duro o ano todo, juntar dinheiro, sair em cima de um caminhão, pegar estrada ruim, as intempéries e ir em romaria até a basílica, anualmente.
Fosse pela espera de milagres, para agradecer uma benção recebida, a colheita ou para cumprir um ritual de devoção que se repetia iam ao encontro daquela que era a representação da sua fé.
A viagem feita era também um passeio que rendia uma volta às lojas, às praças, ao teleférico, a "troca" de uma imagem sagrada, a aquisição de um terço comprado ou uma lembrança àqueles que ficaram. Para os mais jovens, contava a minha mãe, rendia também paqueras e encontros.
Lá deixavam suas doações, orações, seus pedidos, sua súplicas e traziam a esperança de mais um ano abençoado.
E passando de mãe para filha também acostumei minha filha à crença em Nossa Senhora Aparecida. Desde que a Raphaela nasceu também visitávamos o Santuário anualmente, e sempre em companhia da minha mãe.
Chegávamos na madrugada para assistir a primeira missa.Lembro que para a Rapha era apenas diversão, passeio mesmo. Dormia a missa toda e só queria saber dos programas divertidos e da hora da merenda.
Certa de que as experiências positivas ficam e nos moldam para a vida, sei que guardará as memórias das muitas viagens à Aparecida em companhia da vó Nair, minha mãe.
E viva Nossa Senhora Aparecida!! Viva!!!
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