O tempo é tão voraz e ao mesmo tempo tão cicatrizador.
Quer ver o efeito do tempo é só olhar o que ele faz com uma queimadura
ou corte. Pensei nisso outro dia, quando cortava abóboras para fazer um doce para o aniversário da Rapha. Afoita como sou, me descuidei e lá se foi um pedacinho da minha pele. Imediatamente
me lembrei das tantas vezes em que a minha mãe se cortou, se queimou, se
acidentou, cozinhando.
Forte como era, pouco reclama. Ela sabia dos efeitos curadores
do tempo.
Nas últimas semanas tivemos duas festas em família e foi
impossível não lembrar da minha mãe. Suas comidas, seu tempero, sua presença leve e apaziguadora. Ela estava presente em tudo. Era nossa
grande força no preparo das comidas, nas arrumações, nas sugestões, no jeito de
nos acalmar e dizer que tudo iria dar certo.
Nossas festas em famílias são momentos de celebração que
marcam datas especiais e se tornam comemorações que juntam e celebram o encontro
das parentes e amigos. E a alegria do momento é compartilhada entre todos.
Encontrar os familiares e amigos, comer e beber, dançar,
relembrar casos e criar novas memórias afetivas é muito prazeroso e fortalece
nossas relações.
As memórias afetivas da minha mãe sempre nos acompanharão, pois foram construídas em meio de muito amor, carinho, apoio e palavras fortalecedoras. E assim ela segue lembrada em cada encontro que criamos.
O tempo? Ah, ele é tão cicatrizador, mas não cura a saudade.

