sexta-feira, 7 de julho de 2023

2. 8 Homenagens para acomodar a saudade

 



E a laranjeira deu frutos mais um ano. E a  cada ano sinto um gosto diferente e mais especial.

Neste ano colhi todas de uma vez e distribuí as laranjas. Escrevi sugerindo que fizessem um suco e brindassem à memória da minha mãe.

São nessas pequenas homenagens que nos apegamos para acomodar nossa saudade.

Estar conectado com quem se foi, consolida sua presença em nossa vida, acarinha à distância, preserva o afeto e une as mentes.

Preservar as boas lembranças faz com que sintamos que temos nossa mãe por perto e visitar as boas memórias a traz para nos fazer companhia na mente, na alma.

Essas lembranças geram força motriz que conduz a vida e são uma forma de comunicação que nos aproxima dos contextos e realidades vividos.

Penso que não devemos esquecer nossos amores que já se foram. Penso que devemos render-lhes homenagens, pensamentos, orações para que sintam que continuam sendo amados, e de volta nos olhem, nos acompanhem amorosamente. Assim,  como lidamente escreveu Mia Couto “As estrelas são os olhos de quem morreu de amor. Ficam nos contemplando de cima a mostrar que só o amor concede eternidades”.

2.7 - Festa de Santa Maria

 


A típica festa de Santa Maria me leva todos os anos, em junho,  até o Bairro Canta Galo, onde temos nosso recanto, onde meus pais nasceram, onde eu nasci.

Ir ao Canta Galo sem  ter a presença física da minha mãe é bem doloroso. Ao mesmo tempo que nos aproximamos da nossa raiz e nossa essência, das recordações dos muitos encontros neste lugar, a saudade também bate forte.

Tudo ali lembra a minha mãe: as plantas, o pomar, a cozinha, o gramado, o varal, o fogão à lenha, os móveis e peças antigas...

Cada almofada costurada por ela, cada cortina pendurada por ela, cada objeto comprado por ela traz recordações afetivas profundas.

Cozinhar nas suas panelas traz um gosto especial para a comida. Comer as frutas do pomar traz saudosismo e boas lembranças. Colher flores do quintal alegra nossos dias.

E a Festa de Santa Maria é um marco na nossa vida. Seja pelas festas em que meus pais participaram ou foram festeiros, seja pelas amizades que reencontramos lá, seja pelo lado religioso que nos conecta ao lugar que representa muito do sagrado que identificamos.

Reconhecer o poder emocional sólido vindo dessas lembranças e dos objetos que nos cercam dão potência afetiva e de sobrevivência a determinados momentos e lugares. Esse tempo e lugar é reconhecidamente fortalecedor para nós.

E continuar participando desta festa nos fortifica e nos comunga com as pessoas que perdemos ao longo dos anos. E, ainda nos lembra que, devemos perpetuar suas memórias em nossas mentes e corações.

5.8 - Você nunca caminha realmente sozinho

Li outro dia: “A ciência confirma, você nunca caminha realmente sozinho. As células da sua mãe vivem dentro do seu coração e do seu cérebro ...