terça-feira, 12 de outubro de 2021

O que a pandemia nos tirou

 Impossível passar essa semana sem relembrar o que nossa família viveu há um ano atrás.

Há um ano atrás, os noticiários mostravam uma queda nos números da pandemia. Tentamos driblar o vírus e fomos para o nosso Sítio em São Bento do Sapucaí. Só a família, ficamos em nossa casa.

Estámos vivendo a pandemia, suas restrições e respeitando as normas sanitárias, achamos naquele momento que, se nos mativéssemos apenas entre nós, estaríamos resguardados.

Grande engano. Voltamos adoentados e em alguns dias perderíamos a nossa mãe.

A dor grita em nosso peito.

A saudade aperta os nossos corações.

Por mais que tentemos aceitar os desígnios de Deus, a culpa, a tristeza, a raiva, a revolta ainda nos assolam.

No começo medo, muito medo, choro e esperança.

Um pouco depois, mais medo, mais choro que se somaram à fé, orações, união e força.

E por fim, os dias  se tornaram terríveis, escuros, doloridos, tristes, amargos, angustiantes, desoladores.

Os dias passam e já somam-se 11 meses. Seguimos, mas o vazio insistente avisa que  falta a minha mãe.







12 DE OUTUBRO: Dia da Mãe




 E para falar de mãe estou aqui.

Não tem como passar o dia de hoje sem me lembrar dela. Com ela aprendi a devoção à Nossa Senhora Aparecida. Ela por sua vez aprendeu com sua mãe, minha vó Maria, vó Inha como a chamávamos.

Revendo as fotos antigas da família encontramos as fotos anuais tiradas nas visitas ao Santuário. As fotos são parecidas, se repetem até na formação para a pose: a  igreja ao fundo e a família organizada a espera do clique. 

As fotos são o registro da fé que os fazia trabalhar duro o ano todo, juntar dinheiro, sair em cima de um caminhão, pegar estrada ruim, as intempéries  e ir em romaria até a basílica, anualmente.

 Fosse pela  espera de milagres, para agradecer uma benção recebida, a colheita ou para cumprir um ritual de devoção que se repetia iam ao encontro daquela que era a representação da sua fé.

A viagem feita era também um passeio que rendia uma volta às lojas, às praças, ao teleférico, a "troca" de uma imagem sagrada, a aquisição de um terço comprado ou uma lembrança àqueles que ficaram. Para os mais jovens, contava a minha mãe, rendia também paqueras e encontros.

Lá deixavam suas doações, orações, seus pedidos, sua súplicas e traziam a esperança de mais um ano abençoado.

E passando de mãe para filha também acostumei minha filha à crença em Nossa Senhora Aparecida. Desde que a Raphaela nasceu também visitávamos o Santuário anualmente, e sempre em companhia da minha mãe.

Chegávamos na madrugada para assistir a primeira missa.Lembro que para a  Rapha era apenas diversão, passeio mesmo. Dormia a missa toda e só queria saber dos programas divertidos e da hora da merenda.

Certa de que as experiências positivas ficam e nos moldam para a vida, sei que guardará as memórias das muitas viagens à Aparecida em companhia da vó Nair, minha mãe.

E viva Nossa Senhora Aparecida!! Viva!!!

5.8 - Você nunca caminha realmente sozinho

Li outro dia: “A ciência confirma, você nunca caminha realmente sozinho. As células da sua mãe vivem dentro do seu coração e do seu cérebro ...