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quarta-feira, 9 de julho de 2025

4. 7 Não é sobre herança. É sobre outro tipo de riqueza

 



 

Mês passado foi aniversário de 80 anos do meu pai.  Ao olhar para ele, ali em frente à mesa do bolo, consegui identificar dois sentimentos: gratidão misturada com reconhecimento.

Ver aquele rosto magro, fino, cheio das marcas vivas do cansaço  de uma vida difícil permeado por 73 anos de trabalho (sim, ele começou a trabalhar aos 7 anos!) só me fez pedir a Deus que continue enchendo-o da fibra e vitalidade que o sustenta todos os dias, da qual nós filhos, noras e netos nos alimentamos.

Ele conta incansavelmente das tarefas no sítio, colocadas por seu pai, desde menino. E quando crescido mais um pouco, virou  pequeno empreendedor, negociando galinhas, porcos, ovos e tudo mais que pudesse, inclusive a porcentagem do milho que lhe cabia na plantação com  seu pai.

Ao casar encontrou a minha mãe que foi seu esteio sempre.

Franzina, ela sempre foi grande na sua estatura de mulher, mãe, amiga.

E o velho ditado cabe tão bem aqui:  “À frente de um grande homem, há sempre uma grande mulher”. E com muito sangue, suor,  lágrimas e trabalho, os dois construíram grandezas. E tudo isso não é sobre herança. É sobre outro tipo de riqueza. Riqueza que o dinheiro não compra.

E acho bonito que hoje, na ausência da minha mãe; ele reconhece TUDO que ela representou como companheira fiel, dedicada, corajosa, bondosa, trabalhadora, íntegra, consciente, moderada e muito sábia.

E ao colocá-la como centro das suas conquistas, ele a coloca no lugar de onde nunca saiu, onde persistiu, onde fez diferença, onde conseguiu transformar pó em ouro.

E finalizo repetindo:  isso não é sobre herança. É sobre outro tipo de riqueza.

 

quinta-feira, 7 de novembro de 2024

4.0- “QUANDO PENSO EM ALGUÉM, SÓ PENSO EM VOCÊ”

 


 

E lá se vão 4 anos...

A  dor da ausência amenizada pelo tempo, vez ou outra, revira nossos pensamentos e salta em forma de memória.

Vou tentando colocar em palavras, os sentimentos que me abraçam todo dia, tantas vezes quando lembro de você.

“MUDARAM AS ESTAÇÕES, TUDO  MUDOU E NADA VAI CONSEGUIR MUDAR O QUE  O QUE FICOU...” eu canto aqui Renato Russo escrevendo esta homenagem.

Sim, o tempo passou, muita coisa mudou, muitas  alterações aconteceram, gente nova chegou em nossa família, alguns se afastaram,   as crianças, seus netos tão amados, cresceram muito rápido e seguem suas vidas, como nós os seus pais.

Sim, “TÁ TUDO ASSIM, TÃO DIFERENTE”. Nada mais  acontece como antes, quando tínhamos a sua presença física. Há uma falta, uma ausência por nada preenchida.

Consola-nos saber que o amor que repartiu reverbera aqui entre aqueles que te conheceram, te amaram, desfrutaram do seu afeto.

Sim, embora sabendo que  “O PRA SEMPRE,  SEMPRE ACABA...” ainda sentimos diariamente a falta, lamentando o ninho vazio das suas asas protetoras, da sua quentura  maternal e tão acolhedora.

E quando canto o trecho “ESTAMOS INDO DE VOLTA PRA CASA” me vem a certeza do nosso reencontro, que sabemos ser verdade única.

“QUANDO PENSO EM ALGUÉM, SÓ PENSO EM VOCÊ” e certamente é isso que alavanca nossa caminhada e a continuidade dos nossos sonhos e planos.

E AÍ, ENTÃO, ESTAMOS BEM...

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

3.11 Cama de mãe- quente e colhedora

 



Aproveitei muito a cama da minha mãe. Na infância meu pai viajava muito para comprar gado. Ficava dias fora de casa e só voltava quando conseguia fechar a carga do caminhão.

Ele ia passando pelos sítios e fazendas comprando os animais e isso demorava dias. Mais tarde, ele continuou ficando fora por dias para cuidar do sítio. E ela ficava ali cuidando de nós, da casa, das coisas do meu pai.

Nessas ocasiões eu dormia na cama da minha mãe. Ah como era bom! Uma sensação de proteção, de proximidade, de inteireza. Os cheiros ainda me chegam quando os pensamentos migram  para aquele tempo, assim como as sensações boas que eu sentia.

Às vezes ríamos muito de alguma situação lembrada ou comentada. Dava crise de risos e o sono até ia embora. Quando uma aquietava, a outra recomeçava a rir. Demorava muito para o sono reaparecer.

Naquela época eu não tinha dimensão do quão forte e corajosa ela era. Sozinha, cuidando dos quatro filhos e suas demandas, da fazenda que meu pai administrava e até dos funcionários.

Mais tarde, nos mudamos da fazenda, mas meu pai continuava indo para o sítio, então algumas vezes,  ela ia dormir em casa e na minha cama. Sua companhia me fazia matar a  saudade da infância. Quando a luz apagava eu ficava de olhos abertos, lembrando dos tempos passados em que eu era apenas uma menina cheia de sonhos e desejos por realizar.

 Nessa época eu já era mãe e dormíamos as 3 na mesma cama. Vivência que não tem preço que pague. E eu tinha ali naquele pequeno espaço retangular, as duas pessoas mais importantes da minha vida. Eu tinha tudo que precisava ali. O mundo podia até parar...


5.8 - Você nunca caminha realmente sozinho

Li outro dia: “A ciência confirma, você nunca caminha realmente sozinho. As células da sua mãe vivem dentro do seu coração e do seu cérebro ...