Li outro dia: “A ciência confirma, você nunca caminha realmente sozinho. As células da sua mãe vivem dentro do seu coração e do seu cérebro para sempre.”
Pesquisando mais a fundo descobri que essa troca de células entre mãe e bebê chama-se microquimerismo.
Sim, células da mãe podem permanecer no organismo dos filhos por muitos anos e as dos filhos podem se aninhar nas da mãe por décadas. Impressionante!
Imediatamente esses escritos foram se construindo na minha mente. Uma enxurrada de lembranças da minha profunda história com minha mãe: contato, tato, cheiros, conversas, contradições, construções, combinações de tantos momentos.
A ligação forte, visceral, penetrante poderia ser simplesmente explicada por questões afetivas. Carregar um filho no corpo é uma sobrecarga que guardará transformações físicas imensas: hormonais, cardíacas, digestivas, respiratórias, ósseas, posturais e muito mais. Todas essas mudanças somadas às informações emocionais envolvidas ficarão registradas para sempre. Um que vira dois.
Conhecendo de perto o papel de filha e mãe, consigo sentir essa conexão, que muitas vezes, deixa de encontrar palavras capazes de explicá-la. Busco respostas na natureza, nos detalhes, na alma, em Deus, que cuidam de fazer algo maior: manter a simbiose física e emocional que alimenta, cura, repara e restaura o espírito.
Vejo o amor filial como um vínculo consistente, poderoso e indestrutível. Um laço que jamais será desfeito, que se constrói no cotidiano recebimento de afeto, cuidado, proteção. É sobre ter origem e não ser ou estar só nessa imensidão chamada vida.
Já o amor materno é um sentimento multifacetado, que junta processos neurológicos, afetivos, reunindo emoção, psicologia e cultura. É apego e soltura, proteção e lançamento, revezamento entre torcida e reza. Difícil explicar o inexplicável.
Há ainda toda a dimensão espiritual que transcende qualquer medida ou definição.
Este exercício de relembrar fatos da minha vida com minha mãe, de reunir ideias tiradas das experiências guiam meus dias esvaziados do seu olhar intensamente compreensivo que me preenchia e aconchegava me fazendo sentir seu cuidado onde eu estivesse e hoje transbordam saudade, que lanço em forma de palavras ‘amorizadas’.





