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domingo, 10 de março de 2024

3.4 "Saudade? Deve ser um sopro de amor querendo beijar o tempo." (Dan Céza)

 


3.4  "Saudade? Deve ser um sopro de amor querendo beijar o tempo." (Dan Céza)

 

Quarta-feira, dia 6 de março, Rapha estava na rodoviária e me manda a foto de uma senhorinha muito linda, que era muito parecida com minha mãe, sua vó Nair.

Bati o olho na foto e realmente era muito semelhante. O jeito de se vestir, de pendurar a bolsa, o comprimento e o  jeito de prender o cabelo, o óculos, a altura. Muito parecida.

Na hora, foi um susto. Um susto  bom! Parecia estar revendo minha mãe ali, viva, esperando o ônibus para voltar para casa.

Perguntei: Deu vontade de abraçar?

Ela respondeu: Muita!

Que saudade! Que vontade de abraçar!

Cecilia Sfalsin escreve que “Dá-se o nome de saudade a tudo que fica abraçado em nós pela alma.”

E vejo que o tempo todo estamos procurando coincidências, simbolismos, intuições que nos aproximem dela.

Talvez seja de fato o universo nos trazendo experiências de ligação.

Então, embriagados de amor e saudade sentimos sua falta, temos vontade de rever, de tocar...

Então, embriagados de amor e saudade enxergamos conexões em pequenos acontecimentos...

Então, embriagados de amor e saudade temos que seguir como Rapha me respondeu neste dia: “ Se estamos aqui é porque não terminamos nossa missão neste plano. Então vamos continuar a nadar”

E então... Seguimos saudosos.

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

2 anos- A maior saudade de todos os tempos

 





Dia 7 de novembro de 2020. A essa hora minha mãe fazia sua passagem.

Saudade de ter mãe. A maior saudade de todos os tempos.           .

A gente fica órfã de mãe e perde o chão. Sinto falta daquele calor que me envolvia mesmo quando ela estava distante. Parecia estar sempre abraçada e toda a vida era mais quente, calorosa, revestida.

Não carecia que ela estivesse perto, sentia o mundo mais bondoso, mais caridoso, mais protetor.

O fato dela existir acomodava meu entorno. Envolvia meu ser e me sentia protegida. Talvez por saber que eu estava em suas orações. Talvez por saber que estava torcendo por mim. Talvez por sua energia boa me afetar, mesmo na lonjura.

O vazio da saudade, da ausência  deixam a gente mais apequenado. O amor materno nos agiganta.

A escassez do colo deixa a gente mais desaforado. O amor materno engrandece nosso respeito.

O desprovimento do lar completo, inteiro, na sua capacidade máxima nos trunca. O amor de mãe mostra nossa inteireza.

A insuficiência é vão que nada pode preencher, é oco que espera recheio.

A gente fica órfã de mãe e perde nossa essência, o argumento principal, visceral.

quinta-feira, 7 de abril de 2022

1.5 Reparamos nas horas que passam

 



Mais um mês se vai e saudosos reparamos nas horas que passam.

De repente um objeto nos faz recordar-te. Outra vez é uma música, um aniversário que se comemora, uma fotografia que rolamos com o dedo no celular e revela você,  uma flor que desabrocha, uma comida que experimentamos.

A estação que muda nos lembra o tempo passando.

E nós vamos engolindo o choro, respirando fundo, cuidando das emergências, fingindo estar tudo bem.

E nós vamos tocando a vida, fazendo planos, tirando projetos da gaveta e fazendo acontecer em sua homenagem.

Às vezes o tempo apressado parece querer nos enganar. Num dia parece que era ontem que você estava conosco, cuidando, aconselhando, orando por nós. Nos lembramos de detalhes tão presentes em nosso cotidiano. Parece que ainda está aqui nesse plano. Só foi ali...

Outras vezes 1 ano e cinco meses parece tão longe. Olhamos para trás e a saudade nos sufoca, agarrada à sua falta, esse espaço vazio que nada preenche.

Tem dias que estamos como Guimarães Rosa “Não gosto desse passarinho. Não gosto desse violão. Não gosto de nada que põe saudade na gente.”

Tem dias que estamos mais para Cecília Meireles “ E de que são feitos os dias? De pequenos desejos, vagarosas saudades, silenciosas lembranças.”

E os dias  passam, cotidianos...

 

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

1.2

 Há um ano e dois meses você se foi.  Deixou um grande vazio por aqui.

Novo ano começa e ainda nos sentimos anestesiados. Foi tudo tão rápido.

Passamos seu aniversário, o meu aniversário e de todos da sua família sem seu bolo, sem o seu sorriso e cuidados.

Passamos  Dia das Mães, órfãos da sua presença tranquilizante.

Veio agora o segundo Natal e  o Ano Novo com seu lugar vazio na mesa e faltou a sua fala que acalentava nosso coração nesta época.

Passamos o ano sem provar da sua comida, do seu café, dos seus doces.

Tantas coisas boas e ruins aconteceram sem que a tivéssemos conosco.

Aqui vamos te encontrando nas recordações, nos pensamentos, nos lugares em que íamos juntos,  nas datas comemorativas, em alguns suvenires, nas plantas e flores que suas mãos plantaram, nos cheiros, nas orações.

Seguimos saudosos.





domingo, 17 de janeiro de 2021

A arte de dizer sim




 

A arte de dizer sim

 

Quando éramos crianças, ela disse-nos muitos NÃOS. Eram necessários, modeladores, fortalecedores e por que não seriam emancipadores?

Quando jovens também ouvimos muitos NÃOS. Foram orientadores, formadores, estruturantes.

E ainda adultos ouvimos muitos NÃOS.

Mas não é sobre os nãos que quero falar em relação à  minha mãe. É sobre os SINS.

Muitos foram os SINS que ela disse em sua vida. Sim para o casamento. Sim à resolução dos conflitos matrimoniais. Sim à fidelidade.

Sim para parir 5 filhos. Sim para educar os filhos “no rigor da lei”.

Sim para a cozinha. Sim para a roupa lavada.

Sim para mudar para uma cidade que não conhecia. Sim para o trabalho duro dentro e fora de casa. Sim para o “não consumismo”.

Sim para as perdas. Sim para a força de se levantar.

Sim para as plantas e flores. Sim para o sorriso no rosto.

Sim para a calmaria. Sim para a decisão de dar bons conselhos.

Sim para o perdão. Sim para o acolhimento.

Sim para a habilidade de dar a volta por cima.

E nós filhos, na tentativa de seguir o seu exemplo, vamos treinando para dizer sim , mesmo sabendo que será muito difícil chegar perto da sua competência nessa arte.

5.8 - Você nunca caminha realmente sozinho

Li outro dia: “A ciência confirma, você nunca caminha realmente sozinho. As células da sua mãe vivem dentro do seu coração e do seu cérebro ...