domingo, 8 de outubro de 2023

2.11- Culinária afetiva- aroma de amor e afeição

 

2.11- Culinária afetiva- aroma de amor e afeição



 

 

Semana passada, dias chuvosos, acinzentados pela chuva, tempo propício para um caldo.

Sozinha em casa, lembrei-me de um prato que minha mãe preparava para nós desde crianças: o escaldado de ovos.

De raiz caipira, o escaldado de ovo faz parte da comida típica mineira, inventada há muito tempo e, por ser um prato rápido e barato, fez parte da nossa infância, quando os tempos eram difíceis financeiramente.

A origem é mineira, mas  chegou primeiro às tribos indígenas, sendo um prato preparado com farinha de milho ou fubá. Os ovos adicionados no caldo têm origem portuguesa.

Um caldeirão de sopa nutria a família de seis pessoas, com sabor, muita sustância e economia. Muitas vezes apenas um ovo era quebrado e ele rendia uma refeição que sustentava corpos e almas.

Os ovos vindos do galinheiro do quintal, me lembram a festa que eu fazia quando ouvia a galinha cacarejar avisando que já tinha botado.

Enquanto eu preparava o prato, as memórias atravessavam meus pensamentos saudosos da minha mãe. Cada colherada saboreada, tinha gosto e presença dela.

E enquanto a colher mexia o grosso caldo, me lembrei também do caldo de carne que minha mãe fazia pra mim e meus irmãos. Quando cozinhava carne, ela preparava assim: do cozido  formava um caldo ralo, porém cheio de proteínas, colágeno e ferro e, em um prato fundo colocávamos farinha de milho. Então, minha mãe vinha com a concha cheia de caldo que despejava sobre a farinha. Ah! A alquimia estava feita! Essa combinação formava um grosso e suculento caldo que desmanchava na boca, repleto de sabores. Isso tudo era tanto, era colossal e enchia nossa casa com aroma de amor e afeição.

É por isso que num dia nublado, frio, escurecido pelas nuvens pesadas, meus pensamentos viajaram para a infância, para um tempo de alma aquecida, corpo fortalecido pelas refeições e orações que pediam a chegada de tempos melhores.

2.10 Contrariando Cecília

 2.10 Contrariando Cecília


Eis que daqui a pouco desponta mais uma primavera e plagio o que disse Cecília Meireles:
“Minha tristeza é não poder mostrar-te as nuvens brancas,
e as flores novas como aroma em brasa,
com as coroas crepitantes de abelhas.
Teus olhos sorririam,
agradecendo a Deus o céu e a terra:
eu sentiria teu coração feliz
como um campo onde choveu.”

Aqui a primavera vai passar, mas será mesmo que não a verás?
Contrariando Cecília creio que estarás num vôo de borboletas, num pousar dos pássaros sobre a árvore, num vento que balança os arbustos.
Contrariando Cecília creio que podes desabrochar em flores.
Contrariando Cecília creio que podes ser uma chuva branda.
Contrariando Cecília creio que estarás por aqui, sendo, por vezes a própria primavera.
Eu creio.

5.8 - Você nunca caminha realmente sozinho

Li outro dia: “A ciência confirma, você nunca caminha realmente sozinho. As células da sua mãe vivem dentro do seu coração e do seu cérebro ...