sábado, 30 de janeiro de 2021


A arte de dizer sim

 

Quando éramos crianças ela disse-nos muitos NÃOS. Eram necessários, modeladores, fortalecedores e por que não seriam emancipadores?

Quando jovens também ouvimos muitos NÃOS. Foram orientadores, modeladores, formadores, estruturantes.

E ainda adultos ouvimos muitos NÃOS.

Mas não é sobre os nãos que quero falar em relação à  minha mãe. É sobre os SINS.

Muitos foram os SINS que ela disse em sua vida. Sim para o casamento. Sim à resolução dos conflitos matrimoniais. Sim à fidelidade.

Sim para parir 5 filhos. Sim para educar os filhos “no rigor da lei”.

Sim para a cozinha. Sim para a roupa lavada.

Sim para mudar para uma cidade que não conhecia. Sim para o trabalho duro dentro e fora de casa. Sim para o “não consumismo”.

Sim para as perdas. Sim para a força de se levantar.

Sim para as plantas e flores. Sim para o sorriso no rosto.

Sim para a calmaria. Sim para a decisão de dar bons conselhos.

Sim para o perdão. Sim para o acolhimento.

Sim para a habilidade de dar a volta por cima.

E nós filhos, na tentativa de seguir o seu exemplo, vamos treinando para dizer sim , mesmo sabendo que será muito difícil chegar perto da sua competência nessa arte.
 

domingo, 17 de janeiro de 2021

Um doce de mãe

 

Um doce de mãe

Doce de goiaba, doce de mamão, doce de figo, doce de abóbora, doce de laranja em casca. Doce em pedaços, com a fruta ralada ou em compota ou em caldas.

Pães, bolos, bolachas, canudinhos, rocambole, manjar, pudim de leite, goiabinha.

Era mais dada aos doces, talvez para agradar, “adoçar” quem aparecesse em casa. Talvez para compensação emocional da vida dura vivida. Talvez só por gostar dos doces mesmo. Talvez só para apreciar a cara de satisfação dos filhos e netos e abraça-los através do paladar.

Da sua boa mão para os doces pouco herdei. Devia ter me dedicado mais a aprender os macetes da sua culinária.

Devia ter ido mais pra cozinha junto com minha mãe e ter desfrutado mais da sua companhia.

Devia ter feito a oficina de pães que tinha pensado para que ela ensinasse aos netos suas mais gostosas receitas.

Devia ter sentado com ela para organizar as inúmeras receitas que estavam espalhadas pela casa. À tarde senta-se em frente da televisão e  tentava anotar as receitas. Digo “tentava” porque muitas vezes ela perdia partes das anotações ou anotava com abreviações que depois ela mesma não entendia.

Jamais jogava fora um saquinho de arroz, de açúcar, de farinha de trigo sem recortar a receita indicada no pacote. A maioria delas nunca fez, mas era bonito de ver esse ritual de colecionar as receitas.

Já decidi! Vou organizar seu caderno de receitas montando um portfólio bem rico para que possamos desfrutar da sua coleção. Pode ser que nos juntemos um dia desses para preparar algum prato que traga minha mãe um pouquinho para perto de nós.

 

Meu pé de laranja




 

Meu pé de laranja

Tenho lá em casa vários pés de frutas e flores plantados pela minha mãe.

O pé de laranja foi o que primeiro produziu e por isso tenho um orgulho enorme dele.

O que me deixa mais apaixonada nele é que não foi uma muda comprada ou escolhida ao acaso. Minha mãe plantou a semente, cultivou, acompanhou seu crescimento até estar no ponto de  plantar lá em casa. Escolheu o local, fez a cova, plantou e ainda acompanhou seu crescimento até colher o fruto.

Dá pra imaginar todo esse processo acontecendo?

Dá pra dimensionar o significado disso tudo?

Dá prá calcular o tamanho do amor que tenho nessa laranjeira?

Lembro muito bem do dia em que colhemos a primeira laranja. Foi uma festa e ela teve a honra de ser a primeira a colher.

Colheu, amorosamente descascou, cortou ao meio e juntas, cada um com sua metade, sorvemos aquele caldo delicioso num pacto de amor e carinho que jamais será esquecido.

Cada vez que olho para ela, rego, limpo seu pé, colho sua fruta, sento à sua sombra sinto a presença da minha mãe e me acalento com isso.

Agradecida sou a Deus por ter um pedacinho de chão, fruto do meu trabalho, do meu sonho  onde minha mãe  pode deixar rastros e belezas espalhadas ao meu redor.

A arte de dizer sim




 

A arte de dizer sim

 

Quando éramos crianças, ela disse-nos muitos NÃOS. Eram necessários, modeladores, fortalecedores e por que não seriam emancipadores?

Quando jovens também ouvimos muitos NÃOS. Foram orientadores, formadores, estruturantes.

E ainda adultos ouvimos muitos NÃOS.

Mas não é sobre os nãos que quero falar em relação à  minha mãe. É sobre os SINS.

Muitos foram os SINS que ela disse em sua vida. Sim para o casamento. Sim à resolução dos conflitos matrimoniais. Sim à fidelidade.

Sim para parir 5 filhos. Sim para educar os filhos “no rigor da lei”.

Sim para a cozinha. Sim para a roupa lavada.

Sim para mudar para uma cidade que não conhecia. Sim para o trabalho duro dentro e fora de casa. Sim para o “não consumismo”.

Sim para as perdas. Sim para a força de se levantar.

Sim para as plantas e flores. Sim para o sorriso no rosto.

Sim para a calmaria. Sim para a decisão de dar bons conselhos.

Sim para o perdão. Sim para o acolhimento.

Sim para a habilidade de dar a volta por cima.

E nós filhos, na tentativa de seguir o seu exemplo, vamos treinando para dizer sim , mesmo sabendo que será muito difícil chegar perto da sua competência nessa arte.

5.8 - Você nunca caminha realmente sozinho

Li outro dia: “A ciência confirma, você nunca caminha realmente sozinho. As células da sua mãe vivem dentro do seu coração e do seu cérebro ...