Muitas coisas ficaram sem vida depois da sua partida.
Seu jardim, suas samambaias e orquídeas sofrem a ausência dos seus cuidados.
O fogão, agora descansa com o pouco uso.
E a cozinha é pouco aquecida pelo fogo da chama que quase não apagava.
As panelas estão a repousar.
A boleira e as travessas de servir doces permanecem nos armários.
Das coisas que ficaram, algumas nos fizeram reaprender o riso.
Das coisas que ficaram, algumas nos machucam os olhos ao lembrar a sua falta.
Das coisas que ficaram, algumas nos confortam e nos enchem da sua presença.
Das coisas que ficaram, muitas estão impregnadas do seu jeito, da sua honestidade.
Das coisas que ficaram, ainda tem o pó de arroz, o batom e os esmaltes que continuo usando para ter-te um pouquinho comigo.
Mulher de pouca vaidade e muita dignidade, não era de excessos, o uso da maquiagem era leve, dosado, bem moderado. Prezava a naturalidade, sem disfarces.
Mas, o pó, o batom e os esmaltes clarinhos lhe faziam gosto.
E eu, faço gosto de usá-los partilhando das coisas que ficaram, além da saudade.
