Um doce de mãe
Doce de goiaba, doce de mamão,
doce de figo, doce de abóbora, doce de laranja em casca. Doce em pedaços, com a
fruta ralada ou em compota ou em caldas.
Pães, bolos, bolachas, canudinhos, rocambole, manjar, pudim de leite, goiabinha.
Era mais dada aos doces, talvez
para agradar, “adoçar” quem aparecesse em casa. Talvez para compensação
emocional da vida dura vivida. Talvez só por gostar dos doces mesmo. Talvez só
para apreciar a cara de satisfação dos filhos e netos e abraça-los através do
paladar.
Da sua boa mão para os doces
pouco herdei. Devia ter me dedicado mais a aprender os macetes da sua culinária.
Devia ter ido mais pra cozinha junto
com minha mãe e ter desfrutado mais da sua companhia.
Devia ter feito a oficina de pães
que tinha pensado para que ela ensinasse aos netos suas mais gostosas receitas.
Devia ter sentado com ela para
organizar as inúmeras receitas que estavam espalhadas pela casa. À tarde
senta-se em frente da televisão e
tentava anotar as receitas. Digo “tentava” porque muitas vezes ela
perdia partes das anotações ou anotava com abreviações que depois ela mesma não
entendia.
Jamais jogava fora um saquinho de
arroz, de açúcar, de farinha de trigo sem recortar a receita indicada no
pacote. A maioria delas nunca fez, mas era bonito de ver esse ritual de
colecionar as receitas.
Já decidi! Vou organizar seu
caderno de receitas montando um portfólio bem rico para que possamos desfrutar
da sua coleção. Pode ser que nos juntemos um dia desses para preparar algum
prato que traga minha mãe um pouquinho para perto de nós.

Quanta homenagem linda ❤️
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