domingo, 17 de janeiro de 2021

Um doce de mãe

 

Um doce de mãe

Doce de goiaba, doce de mamão, doce de figo, doce de abóbora, doce de laranja em casca. Doce em pedaços, com a fruta ralada ou em compota ou em caldas.

Pães, bolos, bolachas, canudinhos, rocambole, manjar, pudim de leite, goiabinha.

Era mais dada aos doces, talvez para agradar, “adoçar” quem aparecesse em casa. Talvez para compensação emocional da vida dura vivida. Talvez só por gostar dos doces mesmo. Talvez só para apreciar a cara de satisfação dos filhos e netos e abraça-los através do paladar.

Da sua boa mão para os doces pouco herdei. Devia ter me dedicado mais a aprender os macetes da sua culinária.

Devia ter ido mais pra cozinha junto com minha mãe e ter desfrutado mais da sua companhia.

Devia ter feito a oficina de pães que tinha pensado para que ela ensinasse aos netos suas mais gostosas receitas.

Devia ter sentado com ela para organizar as inúmeras receitas que estavam espalhadas pela casa. À tarde senta-se em frente da televisão e  tentava anotar as receitas. Digo “tentava” porque muitas vezes ela perdia partes das anotações ou anotava com abreviações que depois ela mesma não entendia.

Jamais jogava fora um saquinho de arroz, de açúcar, de farinha de trigo sem recortar a receita indicada no pacote. A maioria delas nunca fez, mas era bonito de ver esse ritual de colecionar as receitas.

Já decidi! Vou organizar seu caderno de receitas montando um portfólio bem rico para que possamos desfrutar da sua coleção. Pode ser que nos juntemos um dia desses para preparar algum prato que traga minha mãe um pouquinho para perto de nós.

 

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