sexta-feira, 7 de junho de 2024

Colo que é imensidão



O seu perdão chegava sempre, mesmo que não o pedíssemos formalmente. Era sentido, consentido, confirmado, congraçado.

Não pedia prova de amor, mesmo quando éramos rebeldes, rancorosos, inadequados, egoístas, vingativos, arrogantes, impacientes... A lista é longa... Não para aqui.   Era a própria prova de amor.

Sua torcida para sermos bem sucedidos era sentida, notada, absorvida  fosse pelas orações, fosse pelo “vai com Deus”,  fosse pelo olhar na despedida na portão. Ainda hoje é captada e muitas vezes a buscamos recorrendo a sua bondade, mesmo estando em outro plano.

Seu orgulho em cada sucesso obtido por um ou outro  membro da família era contagiante.

Sempre estava conosco nos melhores e nos piores momentos.  Nos melhores momentos nos transmitia conforto, maravilhamento, sorte, contentamento. Nos piores, se montava de forte,  silenciava e  trancava a dor no sótao para mais tarde senti-la sozinha. 

Seu amor nunca nos abandonava.

O seu colo era uma imensidão, nele cabia o mundo inteiro quando ele desabava em nossas cabeças ou corações. 

Nessas ocasiões, não podíamos imaginar como seria passar pelo dia mais triste das nossas vidas, sem seu colo quente para amenizar nosso sofrimento e acalentar nossa alma desolada.

Tivemos que voltar para a casa órfãos, despedaçados, prostrados sem perspectiva de quando iríamos nos levantar novamente.

A dor mais doída que sentimos na vida, vai e volta, sangra e cicatriza, enche e esvazia, vai pra longe e chega perto,  diminui e fica abundante, enfraquece e potencializa.

E assim correm os dias.

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