sábado, 8 de março de 2025

4.2- Hoje ainda sou a Natália.

 



Outro dia li uma matéria tocante contando sobre  o luto da  chimpanzé  Natália , residente no  de Valência, na Espanha. Ela deu à luz, mas perdeu seu filhote 14 dias depois.

Natália não se conformou com a perda e carregou o filhote falecido por 3 meses junto a si por três meses.

A equipe do zoológico entendeu e respeitou sua dor, monitorou o caso e ao longo dos dias Natália foi processando a sua perda.

O caso me chamou muita atenção, me emocionou e também me impactou muito.

Fiquei a pensar, sentir e associar o caso com o meu luto, mesmo num papel invertido.  Hoje 4 anos e 2 meses revivi a dor do falecimento da minha mãe através deste acontecimento: a dor que obriga a deixar ir, a resistência ao distanciamento que consome a alma, a busca pela conformação, a luta pelas compensações emocionais diárias.

A conexão emocional precisa de tempo para que o “desligamento” ocorra. Na verdade ele não ocorre, apenas nos acostumamos a viver sem a presença física da pessoa amada.

Seguimos em frente, continuamos nossa rotina, fazemos planos, passeamos, relembramos e  a vida continua. Mesmo com um pedaço nosso faltando.

Ontem eu fui a Natália.

Hoje ainda sou a Natália.

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