Outro dia li uma matéria tocante contando
sobre o luto da chimpanzé Natália , residente no de Valência, na
Espanha. Ela deu à luz, mas perdeu seu filhote 14 dias depois.
Natália não se conformou com a
perda e carregou o filhote falecido por 3 meses junto a si por três meses.
A equipe do zoológico entendeu e
respeitou sua dor, monitorou o caso e ao longo dos dias Natália foi processando
a sua perda.
O caso me chamou muita atenção,
me emocionou e também me impactou muito.
Fiquei a pensar, sentir e associar
o caso com o meu luto, mesmo num papel invertido. Hoje 4 anos e 2 meses revivi a dor do falecimento
da minha mãe através deste acontecimento: a dor que obriga a deixar ir, a resistência
ao distanciamento que consome a alma, a busca pela conformação, a luta pelas compensações
emocionais diárias.
A conexão emocional precisa de
tempo para que o “desligamento” ocorra. Na verdade ele não ocorre, apenas nos
acostumamos a viver sem a presença física da pessoa amada.
Seguimos em frente, continuamos
nossa rotina, fazemos planos, passeamos, relembramos e a vida continua. Mesmo com um pedaço nosso
faltando.
Ontem eu fui a Natália.
Hoje ainda sou a Natália.
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