segunda-feira, 7 de outubro de 2024

3.11 Cama de mãe- quente e colhedora

 



Aproveitei muito a cama da minha mãe. Na infância meu pai viajava muito para comprar gado. Ficava dias fora de casa e só voltava quando conseguia fechar a carga do caminhão.

Ele ia passando pelos sítios e fazendas comprando os animais e isso demorava dias. Mais tarde, ele continuou ficando fora por dias para cuidar do sítio. E ela ficava ali cuidando de nós, da casa, das coisas do meu pai.

Nessas ocasiões eu dormia na cama da minha mãe. Ah como era bom! Uma sensação de proteção, de proximidade, de inteireza. Os cheiros ainda me chegam quando os pensamentos migram  para aquele tempo, assim como as sensações boas que eu sentia.

Às vezes ríamos muito de alguma situação lembrada ou comentada. Dava crise de risos e o sono até ia embora. Quando uma aquietava, a outra recomeçava a rir. Demorava muito para o sono reaparecer.

Naquela época eu não tinha dimensão do quão forte e corajosa ela era. Sozinha, cuidando dos quatro filhos e suas demandas, da fazenda que meu pai administrava e até dos funcionários.

Mais tarde, nos mudamos da fazenda, mas meu pai continuava indo para o sítio, então algumas vezes,  ela ia dormir em casa e na minha cama. Sua companhia me fazia matar a  saudade da infância. Quando a luz apagava eu ficava de olhos abertos, lembrando dos tempos passados em que eu era apenas uma menina cheia de sonhos e desejos por realizar.

 Nessa época eu já era mãe e dormíamos as 3 na mesma cama. Vivência que não tem preço que pague. E eu tinha ali naquele pequeno espaço retangular, as duas pessoas mais importantes da minha vida. Eu tinha tudo que precisava ali. O mundo podia até parar...


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