Aproveitei muito a cama da minha mãe. Na infância meu pai
viajava muito para comprar gado. Ficava dias fora de casa e só voltava quando
conseguia fechar a carga do caminhão.
Ele ia passando pelos sítios e fazendas comprando os animais
e isso demorava dias. Mais tarde, ele continuou ficando fora por dias para
cuidar do sítio. E ela ficava ali cuidando de nós, da casa, das coisas do meu
pai.
Nessas ocasiões eu dormia na cama da minha mãe. Ah como era
bom! Uma sensação de proteção, de proximidade, de inteireza. Os cheiros ainda
me chegam quando os pensamentos migram para aquele tempo, assim como as sensações boas
que eu sentia.
Às vezes ríamos muito de alguma situação lembrada ou
comentada. Dava crise de risos e o sono até ia embora. Quando uma aquietava, a
outra recomeçava a rir. Demorava muito para o sono reaparecer.
Naquela época eu não tinha dimensão do quão forte e corajosa
ela era. Sozinha, cuidando dos quatro filhos e suas demandas, da fazenda que
meu pai administrava e até dos funcionários.
Mais tarde, nos mudamos da fazenda, mas meu pai continuava indo
para o sítio, então algumas vezes, ela
ia dormir em casa e na minha cama. Sua companhia me fazia matar a saudade da infância. Quando a luz apagava eu
ficava de olhos abertos, lembrando dos tempos passados em que eu era apenas uma
menina cheia de sonhos e desejos por realizar.
Nessa época eu já era
mãe e dormíamos as 3 na mesma cama. Vivência que não tem preço que pague. E eu
tinha ali naquele pequeno espaço retangular, as duas pessoas mais importantes
da minha vida. Eu tinha tudo que precisava ali. O mundo podia até parar...
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