Mais um mês se vai e saudosos reparamos nas horas que
passam.
De repente um objeto nos faz recordar-te. Outra vez é uma
música, um aniversário que se comemora, uma fotografia que rolamos com o dedo
no celular e revela você, uma flor que desabrocha, uma comida que experimentamos.
A estação que muda nos lembra o tempo passando.
E nós vamos engolindo o choro, respirando fundo, cuidando
das emergências, fingindo estar tudo bem.
E nós vamos tocando a vida, fazendo planos, tirando projetos
da gaveta e fazendo acontecer em sua homenagem.
Às vezes o tempo apressado parece querer nos enganar. Num
dia parece que era ontem que você estava conosco, cuidando, aconselhando,
orando por nós. Nos lembramos de detalhes tão presentes em nosso cotidiano. Parece
que ainda está aqui nesse plano. Só foi ali...
Outras vezes 1 ano e cinco meses parece tão longe. Olhamos para
trás e a saudade nos sufoca, agarrada à sua falta, esse espaço vazio que nada
preenche.
Tem dias que estamos como Guimarães Rosa “Não gosto desse
passarinho. Não gosto desse violão. Não gosto de nada que põe saudade na gente.”
Tem dias que estamos mais para Cecília Meireles “ E de que
são feitos os dias? De pequenos desejos, vagarosas saudades, silenciosas lembranças.”
E os dias passam,
cotidianos...

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