sexta-feira, 4 de dezembro de 2020


 

Lavando roupa no ribeirão

Quando bem pequena moramos numa casa amarela de janelas avermelhadas e onde passava um rio. Casa feita de pau a pique, com piso de terra, que era rebocado com estrume bovino. Sim, o estrume bovino, ao secar formava uma crosta no chão, que evitava que a terra se soltasse e dava um acabamento e um ar de limpeza e arrumação.

Ainda lembro das velhas portas com muitos furos que permitiam a entrada dos raios de sol no amanhecer do dia. Sou ainda capaz de lembrar do frio que também adentrava à nossa casa.

Na casa dois quartos, uma sala, uma cozinha com fogão à lenha e o banheiro, fora da casa, era uma casinha com um pano servindo de porta, com um buraco no chão para fazermos nossas necessidades. Morria de medo daquele banheiro, cujo chão era sustentado por tábuas. Na casa também não tinha tanque e a roupa era lavada no ribeirão.

Lembro que na beira do rio tinha uma tábua inclinada sustentada por um mourão quer servia para a minha mãe ensaboar e “bater” a roupa e um quaradouro suspenso feito com esteiras de taquara para limpar as roupas mais sujas.

Imaginar o trabalho que isso dava me faz amar ainda mais a minha mãe. Saber que tudo o que fazia para cuidar de nós e da nossa casa era cercado de dificuldades me faz ser muito mais grata ainda.

Depois de um tempo, em outra casa já me recordo que ela tinha tanque e água encanada. Mas ainda lavava a roupa sob o sol. Mais à frente, moramos em outra casa que tinha uma lavandaria coberta e com dois tanques.

Só mais tarde em sua casa própria lembro que dei de presente a ela uma máquina de lavar, que existe até hoje.

Com minha mãe as coisas duravam. Ela cuidava com primor e sabia dar valor a cada pertence seu. Olhando com mais atenção a isso, me certifico que as dificuldades ensinam o valor que cada situação ou objeto possuem. E fazem com que dedicamos mais amor no cuidado e na proteção das nossas conquistas.

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