Sem a “campainha”
Nada tira mais o sono de uma mãe
como a doença nos seus filhos. Meu irmão Dene desde que nasceu pregou muitas
peças em seus pais.
Meu pai conta que sempre foi
grato à minha tia Maria por ter varado a noite com ele e minha mãe, cruzando a
pé 18 quilômetros até a cidade mais próxima,
levando meu irmão Dene adoecido até o hospital.
Sem recursos, só restava a fé e a
coragem para desbravar passo a passo a longa caminhada.
Meus pais também contam da
gratidão à Tia Lica que também os
conduzia até um hospital em Campinas para tratar esse mesmo irmão de um
problema na garganta. Dene nascera sem a “campainha”. “Campainha, goela ou
sininho” são nomes populares àquele apêndice situado na parte posterior da
boca, chamado pelos médicos de úvula.
Segundo o Google, a “campainha” serve de alarme de que quanto algo
ao passar pela garganta é preciso fechar as vias respiratórias para que não
entre nada na cavidade nasal, nem na traqueia.
Sem a “campainha” tudo o meu
irmão comia ou bebia regurgitava pelo
nariz. A fala também ficava um pouco prejudicada.
Dá pra imaginar quantos sustos
minha mãe passou com essa situação.
Foram longas viagens até meu
irmão passar pela cirurgia. Depois um bom período de recuperação, curado com
remédios, amor e muito carinho.

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