A casa da minha mãe sempre foi um lugar de aconchego pra
mim. Estar lá é como se me sentisse criança novamente, embalada e protegida do
mundo.
Dois objetos na casa da minha mãe par mim simbolizam a força
e a determinação da D. Nair.
Comprados de “segunda mão” a aquisição não foi menos
valorosa do que se comprado na loja.
O primeiro objeto é sua máquina de costura. Muito suor
derramado para que ela pudesse comprá-la. Lembro que ela demorou muito para
poder ter a sua e antes precisava emprestar para fazer suas costuras.
Quantas memórias da minha mãe costurando!
Costurar para minha mãe era um trabalho e uma distração. Ali
envolvida, colocava seu pensamento e era feliz com seus tecidos.
Costura para mim simboliza criar, inventar, renovar, juntar,
grudar, emendar. Verbos importantes e que trago comigo procurando empregá-los
na minha vida em situação diversas.
O segundo objeto é a sua cristaleira.
Lembro da cristaleira chegando em casa, da satisfação da
minha mãe e do quanto nossa sala ficou embelezada.
Na cristaleira guardava seus mais queridos e estimados
objetos. Aquele móvel envidraçado, expunha seus jogos de café, doceiras,
souvenirs e outras louças.
A cristaleira da sala remete à cuidado, zelo, capricho, valorização
daquilo que apreciamos.
Trago comigo as lições e marcas afetivas de tudo o que essas
duas peças da casa da minha mãe representam
para mim.

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