sexta-feira, 2 de abril de 2021

Sexta-feira santa


 

Sexta-feira santa.  Um dia sagrado para minha mãe. Dia de jejum. Dia de vigília.

Com ela aprendemos as orações, a fé em Deus, a crença em Deus pai.

Lembro que ela nesse dia só tomava um café simples, almoçava e jantava. Nada de guloseimas, café da tarde, festejos. Era dia de reclusão.

Aliás, nos 40 dias da quaresma, honrava a tradição e não comia carne às quartas e sextas-feiras. Nós seguíamos juntos seus princípios.

A sexta –feira da Paixão era dia de retiro. Dia de oração. E ela lembrava “ É o dia em que nosso pai morreu, crucificado”. E contava as histórias bíblicas: falava de Judas, falava de Pedro e suas negações a Jesus, de Pôncio Pilatos, de Maria e de Verônica. Detalhava a via crucis com os 14 episódios do  caminho de Jesus até o calvário.

Participamos de muitas procissões do “Senhor Morto”, iluminadas pela Lua cheia, da “veneração da cruz” e os “Sábados da Aleluia”´eram festejados com a “malhação” do Judas.

Através da sua crença e suas histórias religiosas, foi nossa catequista e nos ensinou a religião católica.

Crescemos e por muitas vezes nos dispersamos da vida religiosa. Mas ela não. Dizia não temer a morte e que a fé em Deus a protegia.

No dia que ficou internada, manteve-se firme, não derrubou nenhuma lágrima. Não pude acompanhar seus últimos  momentos, mas creio que se foi em paz, crente que seria acolhida nos braços da Pai Maior.

Um comentário:

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