Sexta-feira santa. Um
dia sagrado para minha mãe. Dia de jejum. Dia de vigília.
Com ela aprendemos as orações, a fé em Deus, a crença em Deus
pai.
Lembro que ela nesse dia só tomava um café simples, almoçava
e jantava. Nada de guloseimas, café da tarde, festejos. Era dia de reclusão.
Aliás, nos 40 dias da quaresma, honrava a tradição e não
comia carne às quartas e sextas-feiras. Nós seguíamos juntos seus princípios.
A sexta –feira da Paixão era dia de retiro. Dia de oração.
E ela lembrava “ É o dia em que nosso pai morreu, crucificado”. E contava as histórias
bíblicas: falava de Judas, falava de Pedro e suas negações a Jesus, de Pôncio
Pilatos, de Maria e de Verônica. Detalhava a via crucis com os 14 episódios do caminho de Jesus até o calvário.
Participamos de muitas procissões do “Senhor Morto”,
iluminadas pela Lua cheia, da “veneração da cruz” e os “Sábados da Aleluia”´eram
festejados com a “malhação” do Judas.
Através da sua crença e suas histórias religiosas, foi nossa
catequista e nos ensinou a religião católica.
Crescemos e por muitas vezes nos dispersamos da vida
religiosa. Mas ela não. Dizia não temer a morte e que a fé em Deus a protegia.
No dia que ficou internada, manteve-se firme, não derrubou
nenhuma lágrima. Não pude acompanhar seus últimos momentos, mas creio que se foi em paz, crente
que seria acolhida nos braços da Pai Maior.

❤
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