A casa da avó Nair foi aconchego para os netos. Era lá que se sentiam cuidados, protegidos, amados.
Era lá o lugar dos
afetos, da comida preparada com amor, onde a cozinha virava ateliê para os
netos aprenderem a fazer guloseimas e praticar a culinária.
Era lá lugar da cama aquecida que prolongava o sono quando a
mãe, bem cedo ia trabalhar.
Era lá que a paciência fazia morada nas brincadeiras, músicas
e parlendas, maneiras de fazer esquecer a ausência da mãe.
Era lá que preparava
os chás, o leite com chocolate, o mingau, a pipoca, o bolo com recheio que
curava as dores de barriga, as tosses, o mal estar quando precisavam faltar da
escola.
E hoje a saudade bate e a neta faz bolo lembrando das
inúmeras vezes em que ficava esperando para raspar a panela.
O outro a relembra no estouro da pipoca. A outra na entrega
do primeiro pedaço do bolo nos aniversários.
A homenagem aparece no campo de futebol, quando o neto com a mão erguida e o indicador apontando para o céu, no minuto de silêncio,
lhe atribui proteção. E ainda lembra o tapete da sala feito de campo para os
cards , traves e bolas de futebol.
E ainda tem o cajado com suas iniciais esculpidas pelo neto
para a caminhada na romaria à Pirapora.
E a outra neta relembra seus cuidados e riso constante no rosto,
retrato da sua calma e bondade.
Ah! Como esquecer sua presença em nossas vidas. Impossível.
É sim, nossa saudade diária.
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