quinta-feira, 8 de setembro de 2022

1.10 Eternizando as memórias

 



1.10   Eternizando as memórias

Hoje resolvi fazer um bolo, desses pré-prontos porque minhas habilidades na cozinha são bem rasas. E fazendo lembrei que era dia 7 e dia 7 foi o dia da nossa despedida. Um dia circulado na folhinha do calendário, enigmático, doído.

Sempre em nossas lembranças, a saudade fica cada dia mais apertada.

E quando a lembrança adormece para um de nós,  sempre tem um post  contando algo, uma foto, uma menção de alguém da nossa família e o buraquinho no coração dá sinais.

Dia desses a lembrança veio da neta Raphaela, que postou a memória que lhe vem quando prepara o arroz. Ao ver  o caldo, lembra das manhãs na casa da vó Nair, assistindo desenho animado e com o prato de caldinho de arroz na mão.

A lembrança da Rapha puxou a minha vivência de filha. Quando minha mãe fazia carne de panela, preparava para mim uma sopa com o caldo da carne misturado com farinha de milho. Um creme substancioso, cujo  paladar  me tele-transporta para o passado.

As memórias gustativas trazem de volta a presença da  minha mãe ausente. Sinto sua presença no  gosto do  mamão , da pitanga, da laranja, da ameixa, frutas  que foram plantadas por suas mãos.

Há outras formas de eternizar a memória. Quando  nos desfizemos das roupas da minha mãe, um pedido do meu pai foi que deixássemos uma  peça de roupa dela pendurada. Doía-lhe ver  sua falta representada num guarda-roupa  despido das suas vestimentas.

E ali no guarda-roupa,  minha mãe está simbolizada, representada por um vestido laranja e um terninho  azul marinho que podemos cheirar, abraçar, beijar e com isso sentir-lhe, cada um de um jeito.

E tem ainda sua coleção de receitas, com sua caligrafia, seus recortes, suas preferências. Quando mexo nelas sei que é uma forma de reverenciar sua história, sua memória e sinto um afago no peito, uma candura na alma. Choro a saudade e agradeço por ter compartilhado a companhia por tantos anos.

 

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