Certamente nos jogos da Copa do mundo iríamos ter pipoca na casa da vóvó Nair.
Ela sairia de mansinho enquanto estaríamos assistindo o jogo e ia para a cozinha. Talvez só nos déssemos conta quando o cheiro invadisse a sala. E os estouros nos avisassem da guloseima sendo preparada.
Ela viria rindo com 2 ou 3 potes cheinhos de pipoca para que cada um comesse do seu jeito preferido: com sal ou não, com vinagre, com molho, apimentada, agridoce, caramelada, com queijo ralado por cima entre outros modos.
Não era pipoca de microondas muito menos de pipoqueira. Era daquelas feitas na velha e boa panela velha com um tiquinho de óleo e a atenção para que ficasse no ponto. E não podia faltar a batidinha na tampa com os dizeres “ Rebenta pipoca, Maria Sororoca...”
A pipoca dela quase nem tinha piruás!! Também pudera! Ela fazia com tanto amor e capricho que a magia acontecia.
A pipoca da vó, às vezes era amor, às vezes era remédio, às vezes era alimento. Tomava formas diversas conforme nosso estado de espírito.
E lá ficávamos nós comendo, torcendo, falando, juntos e reunidos do jeito que ela mais gostava.
E agora tem Copa do mundo sim e continuamos nos juntando do jeito que ela sempre gostou. Falta a sua pipoca! Fica a mémoria!
Sabemos que ela precisa voar, como voam partindo as andorinhas do outono.

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