domingo, 8 de janeiro de 2023

2.2- Renascer





 

Certa vez, minha mãe estava mexendo no meu jardim. Ela sempre fazia isso. Chegava em casa e quando eu via lá estava ela podando, carpindo, plantando, replantando,  fazendo mudas...

Fui até ela e ficamos conversando. Olhei um canto perto da churrasqueira e falei: “Eu queria uma planta que subisse por essa parede e refrescasse o telhado”.

Dias depois ela arranjou uma muda e  plantou uma folhagem.

Passaram-se anos e e a planta subiu pela parede e passou a refrescar o telhado do jeito que eu pedi. Ela cresceu, vigorosa, ramificada, espalhou seus cipós, refrescou e embelezou o espaço.

Subiu em direção ao sol, apoiando-se na parede e no telhado, procurando luminosidade, entrelaçando suas hastes e adaptando-se anatomicamente ao que encontrava como apoio.

Cresceu tanto que dias atrás tivemos que fazer uma poda, pois os galhos se enroscaram  fortemente  também pelos fios da TV e internet e levantou  telhas.  Precisou de uma poda drástica. Eu fiquei triste, mas não tinha escapatória.

Perguntei ao Felipe que estava podando “Será que ela vai brotar?”. E ele não me deu certeza.

O caule ficou lá e demorei para olhar para ele de novo. Certo dia, para minha alegria vi um galho já com uns 20cm e vários outros apontando rentes ao caule. Pensei alegremente no renascimento, na forma como as coisas se recompõem, na luta pela vida e na lição que aquela trepadeira estava me dando.

Ao renascer  tornou a  aparecer, ressurgindo e germinando novamente. Uma planta-ensinante, professora em sua essência.

Comparando com a trajetória da minha mãe,  pensei que esse era mais um exemplo que ela me deixara. Uma conversa  que conseguiu atravessar dimensões.

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