Certa vez, minha mãe estava mexendo no meu jardim. Ela sempre fazia isso. Chegava em casa e quando eu via lá estava ela podando, carpindo, plantando, replantando, fazendo mudas...
Fui até ela e ficamos conversando. Olhei um canto perto da churrasqueira e falei: “Eu queria uma planta que subisse por essa parede e refrescasse o telhado”.
Dias depois ela arranjou uma muda e plantou uma folhagem.
Passaram-se anos e e a planta subiu pela parede e passou a refrescar o telhado do jeito que eu pedi. Ela cresceu, vigorosa, ramificada, espalhou seus cipós, refrescou e embelezou o espaço.
Subiu em direção ao sol, apoiando-se na parede e no telhado, procurando luminosidade, entrelaçando suas hastes e adaptando-se anatomicamente ao que encontrava como apoio.
Cresceu tanto que dias atrás tivemos que fazer uma poda, pois os galhos se enroscaram fortemente também pelos fios da TV e internet e levantou telhas. Precisou de uma poda drástica. Eu fiquei triste, mas não tinha escapatória.
Perguntei ao Felipe que estava podando “Será que ela vai brotar?”. E ele não me deu certeza.
O caule ficou lá e demorei para olhar para ele de novo. Certo dia, para minha alegria vi um galho já com uns 20cm e vários outros apontando rentes ao caule. Pensei alegremente no renascimento, na forma como as coisas se recompõem, na luta pela vida e na lição que aquela trepadeira estava me dando.
Ao renascer tornou a aparecer, ressurgindo e germinando novamente. Uma planta-ensinante, professora em sua essência.
Comparando com a trajetória da minha mãe, pensei que esse era mais um exemplo que ela me deixara. Uma conversa que conseguiu atravessar dimensões.



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