A típica festa de Santa Maria me leva todos os anos, em junho, até o Bairro Canta Galo, onde temos nosso recanto, onde meus pais nasceram, onde eu nasci.
Ir ao Canta Galo sem ter a presença física da minha mãe é bem doloroso. Ao mesmo tempo que nos aproximamos da nossa raiz e nossa essência, das recordações dos muitos encontros neste lugar, a saudade também bate forte.
Tudo ali lembra a minha mãe: as plantas, o pomar, a cozinha, o gramado, o varal, o fogão à lenha, os móveis e peças antigas...
Cada almofada costurada por ela, cada cortina pendurada por ela, cada objeto comprado por ela traz recordações afetivas profundas.
Cozinhar nas suas panelas traz um gosto especial para a comida. Comer as frutas do pomar traz saudosismo e boas lembranças. Colher flores do quintal alegra nossos dias.
E a Festa de Santa Maria é um marco na nossa vida. Seja pelas festas em que meus pais participaram ou foram festeiros, seja pelas amizades que reencontramos lá, seja pelo lado religioso que nos conecta ao lugar que representa muito do sagrado que identificamos.
Reconhecer o poder emocional sólido vindo dessas lembranças e dos objetos que nos cercam dão potência afetiva e de sobrevivência a determinados momentos e lugares. Esse tempo e lugar é reconhecidamente fortalecedor para nós.
E continuar participando desta festa nos fortifica e nos comunga com as pessoas que perdemos ao longo dos anos. E, ainda nos lembra que, devemos perpetuar suas memórias em nossas mentes e corações.

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