E a laranjeira deu frutos mais um ano. E a cada ano sinto um gosto diferente e mais especial.
Neste ano colhi todas de uma vez e distribuí as laranjas. Escrevi sugerindo que fizessem um suco e brindassem à memória da minha mãe.
São nessas pequenas homenagens que nos apegamos para acomodar nossa saudade.
Estar conectado com quem se foi, consolida sua presença em nossa vida, acarinha à distância, preserva o afeto e une as mentes.
Preservar as boas lembranças faz com que sintamos que temos nossa mãe por perto e visitar as boas memórias a traz para nos fazer companhia na mente, na alma.
Essas lembranças geram força motriz que conduz a vida e são uma forma de comunicação que nos aproxima dos contextos e realidades vividos.
Penso que não devemos esquecer nossos amores que já se foram. Penso que devemos render-lhes homenagens, pensamentos, orações para que sintam que continuam sendo amados, e de volta nos olhem, nos acompanhem amorosamente. Assim, como lidamente escreveu Mia Couto “As estrelas são os olhos de quem morreu de amor. Ficam nos contemplando de cima a mostrar que só o amor concede eternidades”.


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