terça-feira, 7 de novembro de 2023

3 anos- E por falar em saudade...

 E por falar em saudade...


 

“E por falar em saudade Onde anda você? Onde andam os seus olhos Que a gente não vê...”

E lá se vão 3 anos sem as presença física aqui conosco.

3 anos  em que a saudade aparece, vai, volta, machuca, fica,vai, vem, invade a alma, vai, volta, atormenta, bate forte no peito.

Como sempre parou tudo para nos acolher, dar atenção, estamos aqui honrando sua passagem entre nós que tanto nos ensinou.

E sempre está em nossas orações, conversas e recordações.

Com frequência vem uma homenagem, uma história vivida, uma memória. Alguém conta um causo, uma passagem, um fato da sua história.

Seus ensinamentos em forma de conselhos e conversas mansas, a pipoca quentinha, a gostosura de raspar o recipiente com o restinho do bolo, o treinamento para mexer na máquina de costura, a permissão para que  o tapete da sala se transformasse em campo de futebol para que ali acontecessem inúmeros campeonatos e partidas imaginadas pelos netos que criavam dribles e jogadas por longas horas do dia, o paninho quente para curar a dor na barriga ou no ouvido, o ovo frito que só ela sabia fazer não passarão jamais. Carregaremos conosco!!

Deixo aqui um texto, que não é meu, nem de nenhum neto seu, mas poderia ser:

Vó, tá me ouvindo? Eu sei que não vai me responder, mas eu acho que sim. A senhora sempre parou tudo que tava fazendo para me escutar.
Vim aqui dizer que você tá fazendo falta e tô com saudade! Por aqui eu até tenho outras pessoas que me amam muito, mas seu carinho era diferente.
Era carinho de vó.
Queria te perguntar como estão as coisas aí em cima. Usando a mesma voz preocupada que a senhora falava quando me flagrava tristonho ou feliz demais.
Queria ter tido mais tempo para poder retribuir tudo que fez por mim. Aceitaria começar te cobrindo quando te flagrasse cochilando no sofá frio; ou quem sabe, no seu aniversário, te comprando um presente daqueles caros, que minha mãe jamais compraria para me forçar a dar valor ao dinheiro, também poderia ser assistindo seu desenho favorito concordando que era o melhor, mesmo sendo muito chato; poderia te abençoar de volta em todas as vezes que chegava ou saía ou ter apertado mais aqueles abraços.
Desculpa. É que pensava que nunca seria o último.
Queria tanta coisa... a começar pela senhora de volta. Nem que fosse emprestada só no dia da minha formatura para eu te mostrar o canudo e dizer que consegui! Que conseguimos! Ou no batizado do meu primeiro filho. Queria ver seu olhinho fechado, rindo à toa, olhando e falando para os outros que aquele era seu bisneto. Queria dar mais um beijo - daqueles que estralam - na sua bochecha linda, fininha e enrugada. Queria. Queria tanto…
Mas, não posso. E, confesso que isso dói. Mas, logo lembro de tudo. Fecho os olhos - como estou fazendo agora - sorrio baixinho e volto a te perguntar: "Vó, tá me ouvindo? Te amo, viu?"

Aí tudo passa.”

 

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