E por falar em saudade...
“E por falar em saudade
Onde anda você?
Onde andam os seus olhos
Que a gente não vê...”
3 anos em que a saudade aparece, vai, volta, machuca,
fica,vai, vem, invade a alma, vai, volta, atormenta, bate forte no peito.
Como sempre parou tudo para nos acolher, dar atenção, estamos aqui honrando sua passagem entre nós que tanto
nos ensinou.
E sempre está em nossas orações,
conversas e recordações.
Com frequência vem uma
homenagem, uma história vivida, uma memória. Alguém conta um causo, uma passagem, um fato da sua história.
Seus ensinamentos em forma
de conselhos e conversas mansas, a pipoca quentinha, a gostosura de raspar o
recipiente com o restinho do bolo, o treinamento para mexer na máquina de
costura, a permissão para que o tapete
da sala se transformasse em campo de futebol para que ali acontecessem inúmeros
campeonatos e partidas imaginadas pelos netos que criavam dribles e jogadas por
longas horas do dia, o paninho quente para curar a dor na barriga ou no ouvido,
o ovo frito que só ela sabia fazer não passarão jamais. Carregaremos conosco!!
Deixo aqui um texto, que
não é meu, nem de nenhum neto seu, mas poderia ser:
“Vó, tá me ouvindo? Eu sei que não vai me
responder, mas eu acho que sim. A senhora sempre parou tudo que tava fazendo
para me escutar.
Vim aqui dizer que você tá fazendo falta e tô
com saudade! Por aqui eu até tenho outras pessoas que me amam muito, mas seu
carinho era diferente.
Era carinho de vó.
Queria te perguntar como estão as coisas aí em
cima. Usando a mesma voz preocupada que a senhora falava quando me flagrava
tristonho ou feliz demais.
Queria ter tido mais tempo para poder retribuir
tudo que fez por mim. Aceitaria começar te cobrindo quando te flagrasse
cochilando no sofá frio; ou quem sabe, no seu aniversário, te comprando um
presente daqueles caros, que minha mãe jamais compraria para me forçar a dar
valor ao dinheiro, também poderia ser assistindo seu desenho favorito
concordando que era o melhor, mesmo sendo muito chato; poderia te abençoar de
volta em todas as vezes que chegava ou saía ou ter apertado mais aqueles
abraços.
Desculpa. É que pensava que nunca seria o último.
Queria tanta coisa... a começar pela senhora de
volta. Nem que fosse emprestada só no dia da minha formatura para eu te
mostrar o canudo e dizer que consegui! Que conseguimos! Ou no batizado do meu
primeiro filho. Queria ver seu olhinho fechado, rindo à toa, olhando e falando
para os outros que aquele era seu bisneto. Queria dar mais um beijo - daqueles
que estralam - na sua bochecha linda, fininha e enrugada. Queria. Queria tanto…
Mas, não posso. E, confesso que isso dói. Mas,
logo lembro de tudo. Fecho os olhos - como estou fazendo agora - sorrio
baixinho e volto a te perguntar: "Vó, tá me ouvindo? Te amo, viu?"
Aí tudo passa.”

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