domingo, 10 de março de 2024

3.3 Guarda-me um lugar à tua beirinha!


 DIA 7

3.3

Adaptado de Marisa Sousa 


Vou contar-te um segredo, mãe:

Ainda sinto as tuas mãos a acariciarem a minha alma, como daquelas vezes em que eu rompia com as esferas do tempo e embarcava nas brincadeiras sem ocaso.


Ainda oiço as tuas gargalhadas quando eu contava uma daquelas piadas, que só tu rias...

Ainda hoje vejo aberta a porta cinza que estava sempre escancarada para todos os teus netos.


Ainda sinto o paladar dos petiscos que fazíamos na tua cozinha mágica, com as tuas panelas abençoadas, das quais saíam verdadeiros manjares.


Sabes, nunca provei sabor igual.

O tempo já não é o mesmo.


E, à noite quando me sento a olhar para as estrelas, alcanço-te em cada uma delas. Pisco o olho e digo-te:

- Estás tão bonita hoje, Nair!


Guarda-me um lugar à tua beirinha! 


Que guardo-te em mim,  até lá!

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