DIA 7
3.3
Adaptado de Marisa Sousa
Vou contar-te um segredo, mãe:
Ainda sinto as tuas mãos a acariciarem a minha alma, como daquelas vezes em que eu rompia com as esferas do tempo e embarcava nas brincadeiras sem ocaso.
Ainda oiço as tuas gargalhadas quando eu contava uma daquelas piadas, que só tu rias...
Ainda hoje vejo aberta a porta cinza que estava sempre escancarada para todos os teus netos.
Ainda sinto o paladar dos petiscos que fazíamos na tua cozinha mágica, com as tuas panelas abençoadas, das quais saíam verdadeiros manjares.
Sabes, nunca provei sabor igual.
O tempo já não é o mesmo.
E, à noite quando me sento a olhar para as estrelas, alcanço-te em cada uma delas. Pisco o olho e digo-te:
- Estás tão bonita hoje, Nair!
Guarda-me um lugar à tua beirinha!
Que guardo-te em mim, até lá!

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