Amo árvores e para mim elas são uma lição de vida exponencial. Tenho a mania de ao me defrontar com uma árvore que me chama atenção, compará-la a alguém que conheço, traçando linhas de semelhança. E o encontro vira poesia!
Pensar em cada etapa do seu crescimento, na aceleração silenciosa do brotamento, na escala de aprofundamento das raízes, na multiplicação das folhas e frutos , na modelagem das flores, nos intervalos das floradas. Extasiante!
Então, penso nas árvores como abrigo. Quantos ínfimos seres habitam um só exemplar? Quanta guarida para quem a procura para ali viver! Quanta biodiversidade numa única espécie! Um ecossistema para muitas comunidades em interação contínua.
Exposto tudo isso, falo da árvore que minha mãe simboliza para mim.
Minha mãe foi meu abrigo do ventre até sua partida. Sua sombra me protegeu, mesmo quando eu me distanciei. Seus galhos suportaram o peso das minhas intempéries. Suas raízes foram força nas minhas indecisões. Seus frutos foram meu alimento desde a concepção.
Enquanto eu crescia, ela, da sua altura me seguia atenta, observadora e silenciosa.
Sentia tudo, percebia tudo e discreta me acolhia.
Compreendia as minhas fotossínteses.
E eu seguia, segura de mim e do meu esteio...
Agora tenho toda a compreensão que antes me faltava.
Só dei fruto porque sua ancestralidade me permitiu e suas sementes habitavam meu âmago.
Só sou flor porque sua beleza humana me ensinou a florir.
E são fortes as minhas raízes porque sua segurança foi meu sustento.
Sei de tudo agora: ainda posso descansar sob sua escultura frondosa.

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