O dia 7 de cada mês é sempre um
dia que lembro da partida da minha mãe. E neste 7 de abril estava em Amsterdam
realizando um sonho antigo.
Nem por isso, o dia me passou despercebido.
Logo de manhã acordei e pensei
“Hoje é dia 7 e completam 4 anos e 5 meses que estou sem minha mãe. No entanto
estou cumprindo uma recomendação dela.
Explico.
Dias antes da minha mãe falecer,
estamos eu, ela e a Rapha em casa. Nós duas com Covid e a Rapha não.
Neste dia percebi que minha mãe
estava pior, com a respiração ofegante, muita diarréia, muito debilitada.
Eu e a Rapha deitamos perto dela,
fizemos ligações de vídeo para a família tentando animá-la e conversamos
bastante.
Não sei porque, mas começamos a
falar de viagens, das que eu e a Rapha queríamos fazer no futuro. E ela nos
recomendou “ Isso mesmo, aproveitem a vida, façam tudo o que eu não pude fazer”.
Ela falou queixosa, lembrando por
todas as dificuldades que passou no casamento, na criação dos filhos, nos
trabalhos realizados.
Não contávamos que em dias ela
partiria, deixando conosco esta última conversa. Estava sensível por lembrar de tudo isso e ao mesmo
tempo, feliz por estar realizando esta
viagem com minha filha, conhecendo e aprendendo tanto.
E neste dia, eu vim às lágrimas nas duas visitas que fiz.
No Casa da Anne Frank chorei pela história triste, pelos medos enfrentados, pelos relatos
emocionantes do livro-diário, pelas vítimas que não tiveram chance de
sobreviver. Era tão intenso estão pisando naquele chão, tocando aquelas
paredes...
No Museu Van Gogh chorei pela
alegria de estar ali vendo tão de perto cada pincelada que compunha suas obras.
Chorei pelas boas lembranças de tantos projetos que coordenei enquanto diretora
de escola trazendo vida às suas obras através da sensibilidade dos estudantes.
É, só eu e a Rapha sabemos significado desta viagem.

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