quarta-feira, 9 de julho de 2025

4. 5 Honrando a minha mãe

 




O dia 7 de cada mês é sempre um dia que lembro da partida da minha mãe. E neste 7 de abril estava em Amsterdam realizando um sonho antigo.

Nem por isso, o dia me passou despercebido.

Logo de manhã acordei e pensei “Hoje é dia 7 e completam 4 anos e 5 meses que estou sem minha mãe. No entanto estou cumprindo uma  recomendação dela.

Explico.

Dias antes da minha mãe falecer, estamos eu, ela e a Rapha em casa. Nós duas com Covid e a Rapha não.

Neste dia percebi que minha mãe estava pior, com a respiração ofegante, muita diarréia, muito debilitada.

Eu e a Rapha deitamos perto dela, fizemos ligações de vídeo para a família tentando animá-la e conversamos bastante.

Não sei porque, mas começamos a falar de viagens, das que eu e a Rapha queríamos fazer no futuro. E ela nos recomendou “ Isso mesmo, aproveitem a vida, façam tudo o que eu não pude fazer”.

Ela falou queixosa, lembrando por todas as dificuldades que passou no casamento, na criação dos filhos, nos trabalhos realizados.

Não contávamos que em dias ela partiria, deixando conosco esta última conversa. Estava  sensível por lembrar de tudo isso e ao mesmo tempo,  feliz por estar realizando esta viagem com minha filha, conhecendo e aprendendo tanto.

E neste dia,  eu vim às lágrimas nas duas visitas que fiz. No Casa da Anne Frank chorei pela história triste,  pelos medos enfrentados, pelos relatos emocionantes do livro-diário, pelas vítimas que não tiveram chance de sobreviver. Era tão intenso estão pisando naquele chão, tocando aquelas paredes...

No Museu Van Gogh chorei pela alegria de estar ali vendo tão de perto cada pincelada que compunha suas obras. Chorei pelas boas lembranças de tantos projetos que coordenei enquanto diretora de escola trazendo vida às suas obras através da sensibilidade dos estudantes.

É, só eu e a Rapha sabemos  significado desta viagem.




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